Sistema de Meiosi com MPB é alternativa viável para a produção de viveiros com sanidade e economia

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O sistema de Meiosi (Método Inter rotacional Ocorrendo Simultaneamente) foi descrito e publicado inicialmente em 1984, pelo pesquisador Dr. Barcelos, J.E.T. A técnica ficou adormecida nas últimas  décadas por grande parte do setor sucroenergético, pela ausência de tecnologias agregadas que viabilizassem o sistema.

Alguns fatos mais recentes mudaram este cenário, fazendo com que o interesse pela técnica fosse recuperado. Como exemplo, o advento do piloto automático e GPS (que propicia paralelismo e repetibilidade contínua) e o sistema de plantio com MPB – Mudas Pré-Brotadas, com protocolo idealizado pelo IAC – Centro de Cana Ribeirão Preto e demais instituições. O plantio por MPB resgata o conceito de produção de mudas sadias, com um pacote tecnológico embutido nesta plântula, que possui vigor, sanidade, pureza e identidade genética conhecidas. Assim, a Meiosi passou novamente a ser admitida pelos produtores.

A Coplana já realizou diversos eventos com o tema, em parceria com cooperados da região, pioneiros na adesão de novas tecnologias, como é o caso de Ismael Perina Junior, que atua com a Meiosi junto com MPB, desde 2012. Vários grupos de usinas também têm adotado a ferramenta, com o suporte de empresas como Syngenta e Basf.

 

E quais são os requisitos fundamentais para o sucesso desta técnica?

1) Planejamento – item fundamental, momento em que é necessário escolher a melhor variedade que se adapte ao ambiente de produção. A encomenda da cultivar deve ser feita com bastante antecedência e com empresas idôneas, como a Cooperativa. É preciso ainda definir a taxa da desdobra, e a recomendação é que, no início, os números sejam mais conservadores (1:8, 1:10 ou 1:12), como forma de o produtor adquirir conhecimento, experiência e segurança, que vão ajudá-lo a galgar taxas mais altas nas safras seguintes.

A técnica exige parceira no modelo ganha-ganha, entre o proprietário da área (produtor de cana que planta as linhas mães da Meiosi) e seu parceiro (arrendatário que promove a rotação de culturas na maior parte da área, com amendoim ou a soja). Isso exige a definição de responsabilidades e riscos calculados para resultados positivos. Ressalta-se a importância de se definir a taxa de desdobra em conjunto, o que atenderá à estrutura operacional do produtor de cereais e à necessidade do produtor dono da área.

2) Janela de plantio – é necessário determinar a janela ideal de plantio destas linhas, sendo que, preferencialmente, recomenda-se  o período de agosto a setembro, podendo-se estender até 15 de outubro. Isso vai depender da época que se pretende desdobrar. Nesta etapa, fica mais clara a importância da variedade selecionada, que permita rápido crescimento vegetativo com alta população de colmos finais.

3) Manejo – este é um fator de sucesso nestas linhas de mudas, que são o seu viveiro satélite, e devem estar bem localizadas na área de renovação ou expansão. O manejo envolve bom preparo de solo nas faixas cultivadas; sequência de adubação de base e de coberturas no decorrer do ciclo; controle de plantas daninhas e pragas, como lagartas elasmo, desfolhadoras e a broca da cana (Diatrea S.). Além disso, deve-se atentar para uma irrigação de pegamento e estímulo ao perfilhamento, que garanta stand inicial suficiente.

A técnica possui inúmeras vantagens, dentre elas elevada economia em consumo de mudas no plantio da desdobra; e redução da estrutura operacional, com plantadoras, colhedoras, caminhões, transbordos, carregadeiras e tratores, o que reduz significativamente o custo total de plantio se comparado ao mecanizado ou ao tradicional manual. Outro fator positivo é a redução da dispersão do bicudo da cana (Sphenophorus Levis), importante praga de solo que é disseminada no transporte de mudas de uma área para outra.

Vale colocar atenção ainda na fertilização a partir da rotação de culturas nas faixas entre as linhas de Meiosi, incrementando renda com o cultivo de grãos e fortalecendo as parcerias saudáveis de longa duração.

A Coplana promove a técnica entre os cooperados para a sustentabilidade da produção de cana, com benefícios financeiros e agronômicos. Informações: tecnologia@coplana.com

 

Pablo Humberto Silva

Engenheiro Agrônomo, Gestor do Depto. de Tecnologia e Inovação

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