Ácaro-vermelho do amendoim: avanços no manejo

Ácaros na cultura do amendoim foi o tema de três dissertações de mestrado da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV) – Unesp Jaboticabal, sob orientação do Prof. Dr. Daniel Júnior de Andrade, do Departamento de Fitossanidade. Os trabalhos dos pós-graduandos em Entomologia Agrícola, Cirano Cruz Melville, Fabiano Aparecido dos Santos e Yoandry Rodríguez Rivero foram motivados, segundo o professor, pela carência de informações nesta área, importância da cultura para a região e estrutura da FCAV para projetos ligados ao amendoim. “Tivemos a colaboração de produtores, cooperativas, empresas privadas, entre outros”, afirmou.

Durante os estudos foi avaliada a capacidade de colonização do ácaro-vermelho do amendoim, Tetranychus ogmophallos, em mais de 50 plantas daninhas comuns em áreas de produção de amendoim em rotação com a cana-de-açúcar. “Este trabalho foi importante para conhecimento dos hospedeiros deste ácaro e alinhamento de estratégias de controle desta praga, bem como de plantas daninhas. Ficou evidente que este ácaro tem hábito alimentar monófago, alimentando-se basicamente de plantas do gênero Arachis. Foi verificado que plantas de amendoim ‘tigueras’ são importantes como refúgio e abrigo para o ácaro-vermelho durante a entressafra, e estas plantas devem ser controladas para evitar infestações do ácaro nas safras subsequentes”, ressaltou.

José Marcelo Alves Pacífico, engenheiro agrônomo e gerente Técnico-Comercial de Insumos da Coplana e Guilherme Pongeluppe Patti, engenheiro agrônomo e gerente da Filial Taquaritinga, destacaram a relevância dos estudos para o cultivo, sujeito a vários tipos de estresse, seja por fatores de natureza biótica ou abiótica. “Entre os fatores bióticos que afetam o desenvolvimento das plantas, destaca-se a ocorrência de pragas e doenças que limitam a produtividade da cultura. O ácaro-vermelho é uma praga emergente, que vem causando prejuízos aos produtores de amendoim desde a safra 2008/2009. Até a realização da pesquisa pouco se sabia sobre o potencial e a capacidade de dispersão desta espécie de ácaro”, afirmam. A seguir, os técnicos destacam diversas conclusões dos estudos.

Conclusões em destaque

  • O ácaro-vermelho possui importância para a cultura do amendoim, principalmente nos períodos de seca prolongada. No campo, sua infestação inicia-se em pequenas reboleiras, dificultando o diagnóstico precoce da praga na área, sendo percebida, na maioria das vezes, quando já está bastante alta. Infesta principalmente as folhas. Porém, é comum observá-lo nas hastes, principalmente quando a população está elevada. Além disso, um dos sinais mais característicos deste ácaro é a elevada quantidade de teia produzida (ANDRADE; MELVILLE; MICHELOTTO, 2016).
  • É conhecido como dispersão o conjunto de processos que possibilitam a fixação de indivíduos de uma espécie em um local diferente daquele onde nasceram. A capacidade de dispersão de um determinado organismo é considerada fator chave para a sua sobrevivência. Os seres vivos procuram novas áreas quando há competição por espaço e alimento, devido à elevação na densidade populacional. Observou-se que as plantas espontâneas identificadas na área apontam não ser hospedeiras de ácaro-vermelho, com exceção do amendoim. Para algumas plantas com porte maior que o amendoim, como por exemplo, a cana-de-açúcar, observou-se que os ácaros migram em alta população para o ápice da planta na tentativa de dispersar-se. Isso pode ser um fator importante para dispersão do ácaro no campo em áreas de amendoim em rotação com a cana-de-açúcar. Além disso, as altas infestações de amendoim tiguera em cana-planta constituem o principal fator de dispersão e estabelecimento de ácaro-vermelho e outras pragas importantes do amendoim nas entressafras.
  • Ácaros tetraniquídeos podem se dispersar de forma ativa, através do seu próprio caminhamento (HUSSEY; PARR,1963; ALVES; CASARIN; OMOTO, 2005), por forese (transporte por outros organismos) (YANO, 2004) ou por dispersão aérea através das correntes de ar (OSAKABE et al., 2008). Neste contexto, um fator importante relacionado à dispersão aérea dos tetraniquídeos é a produção de teia (BELL et al., 2005). Para o ácaro-vermelho ocorre um deslocamento coletivo quando há um alto índice populacional promovendo o esgotamento de alimento. Este tipo de dispersão é chamado de “balonismo” (ballooning), que é comumente realizado pelos ácaros fêmeas que se apoiam nos pares de pernas posteriores e levantam a parte anterior do corpo, deixando-se levar pelo vento. Fêmeas de algumas espécies de tetraniquídeos ficam penduradas por fios de seda por elas produzidos, até que o vento atinja velocidade para que o fio de seda arrebente (MORAES; FLECHTMANN, 2008).
  • A dispersão pode ser um fator capaz de influenciar a evolução de resistência a produtos fitossanitários através da migração de populações já resistentes (FRAGOSO; GUEDES; LADEIRA, 2003).
  • O ácaro-vermelho forma colônias sobre as plantas com elevado número de indivíduos que ocupam ambos os lados das folhas, causando clorose e queda prematura de folhas (FERREIRA; FLECHTMANN, 1997). Com o aumento populacional, pode-se observar a formação de uma densa camada de teia que tem como funções proteger a colônia contra chuva e predadores, facilitar o encontro entre machos e fêmeas, assim como tem papel muito importante na dispersão da espécie (BELL et al., 2005; YANO, 2008).
  • O ácaro-vermelho também causa depreciação quantitativa e qualitativa na cultura do amendoim. Foi verificado por Lourenção et al. (2001) redução de até 76% na produtividade da cultura de amendoim em campos destinados à produção de sementes. As plantas, quando infestadas nos primeiros estágios de desenvolvimento, não resistem ao ataque do ácaro-vermelho do amendoim, e quando a infestação ocorre aos 90 dias após a emergência pode haver redução de até 85% da produtividade (MELVILLE et al., 2018).
  • A velocidade do vento está diretamente relacionada com a dispersão do ácaro-vermelho (quanto maior a velocidade do vento, maior será o número de ácaros deslocados e maior será a distância). Alertamos nossos cooperados produtores de amendoim, que havendo suspeita da ocorrência de ácaros em suas lavouras, procurem imediatamente o engenheiro agrônomo que o atende, para que seja orientado corretamente em relação ao controle. Nossos técnicos estão preparados para oferecer o devido atendimento.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Nome*

Email

Website